Grupo Dom Bosco: Setembro 2013

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Pe. Faure, nosso coordenador

Com grande alegria anunciamos que Mons. Williamson nomeou ao Pe. Jean Michel Faure como coordenador da Resistência.
Pe. Faure e famílias da resistência em México
O Pe. Faure é bastante adequado para esta função por várias razões:

1- É um dos primeiros padres ordenados por Mons. Lefebvre, e portanto, um dos membros mais antigos da FSSPX. Participou de todos os Capítulos da Fraternidade;

2- Braço direito de Mons. Lefebvre na América do Sul durante décadas, o Padre gozava de uma confiança ilimitada por parte do Arcebispo (era o único que tinha acesso à sua correspondência privada) e ainda, diz-se que Mons. Lefebvre queria sagra-lo Bispo, mas o Padre recusou por humildade. Graças à esta grande amizade e confiança, o Pe. Faure teve a graça de conhecer e compreender como poucos a nosso Fundador;

3- Tem uma grande experiência, pois foi fundador da FSSPX nas terras Sul-Americanas: o Distrito da América do Sul, do qual foi superior; e fundador e Superior do Seminário de La Reja, e fundador e Superior do Distrito de México;

4- Compreendeu como poucos o Combate pela Tradição e o Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, contra o liberalismo e o modernismo;

5- Seu zelo sacerdotal é infatigável. Tem sede de almas e é um grande contra-revolucionário desde sua juventude, quando combateu no conflito em Argélia.


Por tudo dito, agradecemos profundamente a Mons. Williamson por nomear a este extraordinário e santo sacerdote, filho autêntico de Mons. Lefebvre, para esta grande tarefa que é a Coordenação da Resistência.

Obrigado Mons. Williamson!
Obrigado Pe. Faure!
Viva Cristo Rei!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Sermão da Festa da Santa Cruz - Pe. René Trincado


Ele venho primeiro, e levou sua cruz e morreu na cruz por ti para que tu também a leves e desejes morrer nela. Porque se morres junto com Ele, viverá com Ele. Verdadeiramente, da cruz tudo depende, e em morrer para si mesmo está tudo. (Imit. De Cristo, L. II, cap. XII)

Estimados fiéis, celebramos a festa da Exaltação da Santa Cruz. Porque os padecimentos dos católicos são como farpas [fragmentos] da cruz de Cristo, convém recordar, nesta ocasião, algumas verdades sobre o sofrimento.

A primeira verdade que convém recordar é que nesta vida é impossível evitar o sofrimento e que não é por sermos católicos que vamos sofrer menos.

Cristo disse que vamos sofrer. Em qual parte dos Evangelhos há a promessa de uma felicidade completa ou estável nesta vida? Ao contrário, nos diz: Bem aventurados os que sofrem na terra, porque serão felizes no Céu. Onde disse N. Senhor que estaremos livres de tribulações? Ao contrário, nos promete dizendo: no mundo tereis tribulações, mas, ânimo! Eu venci o mundo.

Se não podemos evadir o sofrimento, se trata então de saber sofrer, de saber levar a cruz. Diz “A Imitação de Cristo”: "Se te dispõe a fazer o que deves, isto é, sofrer e morrer, terás paz. Aquele que sabe sofrer melhor, terá maior paz. Este é vencedor de si mesmo e senhor do mundo, amigo de Cristo e herdeiro do céu" (L. II, cap. III e XII).

A segunda verdade é conseqüência da primeira: temos que aceitar o sofrimento. Devemos perguntarmo-nos se vivemos como amigos ou como inimigos da cruz de Cristo. Porque o mundo nos arrasta a buscar sempre o bem-estar, a comodidade e o prazer, e a evitar e detestar todo sofrimento. Se esta é nossa atitude habitual, não sabermos sofrer e somos inimigos da Cruz de Cristo.

Se diz em certa poesia citada por S. Luis Grignón de Montfort em sua “Carta aos amigos da Cruz”:

Escolha uma cruz das três do Calvário;
Uma deve ser escolhida, então escolha corretamente;
Vocês devem sofrer como um santo ou um bandido arrependido,
Ou como um reprovado, em uma tristeza sem fim.

Há, então, três maneiras de sofrer: como santo, como penitente e como réprobo. Como santo sofria Cristo, como penitente sofria Dimas, o bom ladrão, e como réprobo sofria Gestas, o mau ladrão. Os três sofriam o mesmo tormento da Cruz. Dos dois ladrões, dos dois pecadores do Calvário, um desde a cruz subiu ao Céu e o outro desde a cruz caiu ao inferno. Este recusou a cruz, aquele a aceitou, e Cristo a amou.

Sofremos em justo castigo pelo pecado original e por nossos pecados pessoais. Portanto, ninguém, quando estiver crucificado, pense que Deus o trata injustamente, senão diga com Jó: Deus dá e Deus tira. Como Deus quis, assim se fez. Bendito seja o Nome de Deus (Jó I, 21); e com o publicano: tem piedade de mim, Senhor, porque sou um pecador (Luc. XVIII, 13). Também sofremos para sermos purificados. Porque quer Deus – se lê em “Kempis”- que aprendas a sofrer a tribulação sem consolo, e que te submetas de todo a Ele, e te faças mais humilde com a tribulação. E tem por certo que te convém morrer vivendo, pois quanto mais morre cada um a si mesmo, tanto mais começa a viver para Deus. Porque temes tomar a cruz, pela qual se vai ao reino? Na cruz está a saúde, na cruz está a vida, na cruz está a defesa dos inimigos, na cruz está a infusão de suavidade soberana, na cruz está a fortaleza do coração, na cruz está o gozo do espírito, na cruz está a suma virtude, na cruz está a perfeição da santidade. Não está a saúde da alma nem a esperança da vida eterna, senão na cruz. Toma, pois, tua cruz, e segue a Jesus, e irás para a vida eterna (L. II, cap. XII).

Dos crucificados no Calvário, um recusava a cruz, outro a aceitava e Cristo a amava. Não só devemos aceitar com resignação as cruzes, senão que Deus nos pede dar um passo a mais, ou melhor, um salto ao infinito. Este passo é algo totalmente incompreensível e uma loucura para os mundanos, mas é um passo de amor heróico reservado só aos católicos: deves amar o sofrimento, devemos amar a cruz. Diz “A Imitação de Cristo”: Tenho muitos amigos que dizem amar-me, mas que no fundo me aborrecem porque não amam minha Cruz. Tenho muitos amigos de minha mesa, mas muito poucos de minha Cruz (L. II, cap. II). E continua: quando chegares a tanto que a aflição te seja doce e gostosa por amor de Cristo, pensa então que vai bem; porque chegaste ao paraíso na terra. Quanto te parece pesado o padecer, e procuras fugir-lhe, creia que vai mal, e onde quer que vá te seguirá a tribulação (L. II, cap. XII).

Quando se compreende o sofrimento –disse Mons. Lefebvre (A Missa de Sempre)- este se converte em alegria e se transforma em tesouro. Nossos sofrimentos unidos aos de N. Senhor e a de todos os mártires, aos dos santos, aos de todos os católicos, aos de todos os fiéis que sofrem no mundo; nossos sofrimentos unidos à Cruz de Cristo se convertem em um tesouro inexpressável e inefável e alcançam uma eficácia extraordinária para a conversão das almas e a nossa. E aqui está a quarta verdade e mistério dos mistérios: o barro se converte em ouro, a escuridão em luz!: o sofrimento deve ser amado porque unido à cruz de Cristo se transforma em redenção.

Os pagãos e os cristãos mundanos vêem o sofrimento como um puro mal. Nós podemos sofrer para salvar almas se unimos nossos sofrimentos aos sofrimentos de N. Senhor Jesus Cristo. Como? Não é coisa fácil. Não é fácil estar sorridentes e serenos na Cruz. Mas, Cristo não nos pede isso! Deste antes da crucificação, Ele sofria angustias de morte, até o extremo de suar sangue. Como fazer, então, para unir nossas cruzes à Cruz de Cristo? Responde Kempis,humilhando nossas almas debaixo da mão de Deus em toda tribulação” (L. I, cap. 13)Isso foi o que fez o bom ladrão. Isso é tudo que Deus nos pede quando sofremos: que entre sangue, suor e lágrimas nos lembremos de sua cruz, com humildade e fé, com espírito de submissão, penitência e de adoração. O bom ladrão é um grande mestre espiritual para os que se sentem crucificados.

Porque Cristo quis nos redimir através do seu e do nosso sofrimento, o mundo, hoje mais do que nunca, e cada vez mais; odeia a cruz, odeia o sofrimento que, unido ao Cristo crucificado, adquire um valor infinito e faz-se redentor. Nós estamos firmes na fé e acreditamos que sofremos para salvar as almas, que nossas cruzes, por ser fragmento da cruz de Cristo, se fazem redentoras.

Dizia Mons. Lefevbre que Santa Terezinha do Menino Jesus, em seu Carmelo, salvou milhões de almas. Milhões de almas! Salvou milhões de almas sem fazer nada aos olhos do mundo. Como salvou milhões de almas? Pela cruz. Por tomar resolutamente a cruz, como toda alma que ama verdadeiramente a Cristo, e por desejar se crucificar, arrastada pela força invencível do fogo da caridade. Sobre esta grande crucificada, disse São Pio X: “é maior santa dos tempos modernos.” Em vez de nos queixarmos tanto e tão amargamente quando nos compete sofrer, salvemos almas! Existe algo mais nobre que isto? Por isso São Luís Maria Grignion de Montfort disse que nada há tão necessário, tão útil, tão doce, tão glorioso como padecer algo por Cristo. E A Imitação: “Não há coisa mais agradável a Deus, nem para ti mais saudável neste mundo do que sofre de boa vontade por Cristo” (II, cap. 12).
 
Encontramos em São Paulo (Col. 1, 24) estas surpreendentes palavras:  “Eu estou cumprindo em minha carne o que resta para o sofrimento de Cristo por seus corpo místico, que é a Igreja.” Santo Tomás (Sup. Coloss.) explica que não se deve pensar que a Paixão de Cristo foi insuficiente para a redenção e precisa ser completada pelos sofrimentos ou paixões dos cristãos. Tal interpretação seria herética – disse ele – porque o Sangue de Cristo é suficiente para a redenção de infinitos mundos. A verdade é que Cristo e sua Igreja são uma pessoa mística, cuja cabeça é Cristo e cujo corpo é o conjunto dos justos, e Deus dispôs a quantidade de méritos que deve haver em toda a Igreja, tanto na cabeça, quanto em seus membros. Falta que, como Cristo sofreu em seu corpo, assim sofreria em São Paulo e sofre em todos os católicos até o fim dos tempos. Falta que sofra em cada um de nós, faltam nossos sofrimentos, faltam ainda nossas pequenas farpas [fragmentos da cruz] para conformar a Cruz total. Diremos não a Cristo? Que estas farpas nossas sejam parte da Cruz gloriosa. Que não sejam arremessadas pelo vento nem sirvam para acender o fogo.

Sucede com nossos sofrimentos como com a água da chuva. Às vezes chove. Às vezes você tem que sofrer.  Todos, até certo ponto. Um de uma maneira, outro de outra. Se se deixa escorrer a água das chuvas, esta termina no mar, onde se faz amarga e suja, perde-se. Mas se a água é canalizada e represada, serve para regar as plantas e obter os desejados frutos. O sofrimento que não está unido a Nosso Senhor, não serve pra nada, se perde como as águas que escorrem. O sofrimento que aceitamos e unimos a Cristo é, ao contrário, como essas águas retidas e represadas. Que nossas lágrimas não cheguem ao mar, que sejam como essa gota de água que, na Missa, o celebrante mescla com o vinho que será consagrado. Que nossas lágrimas não se percam, senão que – por amor a Nosso Senhor – caiam sempre dentro do cálice, e façam-se Sangue Redentor de Cristo, deem muitos frutos.

Estimados fiéis, “se alguma coisa – disse Kempis – for melhor e mais útil para a salvação dos homens que sofrer, Cristo haveria declarado com sua doutrina e seu exemplo. Porém, manifestamente exorta os seus discípulos, e a todos os que desejam segui-lo, a levar a cruz dizendo : se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me  (II, cap. 12).

Depois de Nosso Senhor, quem mais sofreu na história foi a Mãe de Deus. “A Virgem Santíssima – disse Mons. Lefevbre – sofreu um martírio autêntico por meio da compaixão”, isto é, por sofrer espiritualmente unida a Cristo.” Tenha o desejo de sofrer com Nosso Senhor e com a Santíssima Virgem para a salvação de vossas almas e de todas as almas.”

Recorramos cada dia a Ela mediante o Santo Rosário, o qual começa na Cruz e termina na Cruz, para que por sua intercessão acreditemos na luz infinita que se oculta na momentânea obscuridade do sofrimento dos que amam a Deus.

Verdadeiramente, da cruz tudo depende, e em morrer para si mesmo está tudo.

Tradução: Grupo Dom Bosco

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A beleza do amor em família

Artigo I - O amor do belo

Por que é importante despertar no coração o amor pelo belo?

Porque:

1º - "Teoricamente, o conhecimento daquilo que é belo é o verdadeiro caminho e o primeiro escalão para o conhecimento das coisas que são boas; as leis, a vida e a alegria da beleza, nas coisas do mundo material, são partes tão sagradas e eternas da obra do Criador, como a virtude no mundo dos espíritos." (Ruskin, citado por P. Gaultier, ob. cit., p.47)

2º - "Praticamente, só a visão do belo desprende a alma de tudo o que é pequeno e mesquinho, depura a sensibilidade de todo o egoísmo, inflama nos nossos corações a sede da perfeição infinita. Contemplamos os tipos radiosos e transfigurados que a arte faz resplandecer aos nossos olhos, sentimo-nos maiores, mais livres, mais fortes, mais inclinados às ações nobres e aos sentimentos generosos, melhores; numa palavra: mais homens, mais semelhantes a Deus. Aí se encontram juntos o afeto e a condição da emoção estética, que é feita de simpatia e de admiração; porque, se admirar é imitar, é certo também, diz Plotin, que, se a alma se não faz bela, não se distingue a beleza." (R.P. Lahe, filosofia, t. I, p. 362).

Como se pode despertar na criança este amor pelo belo?

Educando-a num meio de beleza.

"Que a criança não veja em volta de si nada que não seja belo! Dever-se-á preservá-la da fealdade e da imoralidade... duas coisas que, frequentemente, andam juntas" (P. Gaultier, ob., cit., p.48)

É difícil embelezar a casa onde a criança deve crescer?

1º - Nem todos têm recurso para viver numa habitação à medida dos seus desejos.
2º - Mas nada mais fácil do que embelezar uma casa.
3º - Seria conveniente dar à criança um quarto bem situado, alegre, bem revestido e ornado, onde ela possa sentir um coração terno que atrai e a mão afetuosa de alguém que protege e encaminha. Faz-se assim geralmente, com as filhas. Sob vários pretextos, não se procede deste modo, quando se trata dos rapazes. Cremos, no entanto, que se obteriam vantagens em fazer alguma coisa neste sentido.

É difícil embelezar a escola que a criança frequenta?

Nem todas as escolas podem ser aprazíveis casas de campo, vilas ou casas de recreio; mas, ao menos, que o ar e a luz entrem a jorros em todas as salas, que o interior seja alegre, com tons claros, ornado com algumas obras... e que a verdura espalhe livremente os seus tons consoladores nos pátios onde as crianças brincam.


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Artigo II - O amor do bem


Como podemos despertar na criança o amor do bem?

Observando atentamente, para que o bem seja celebrado com amor, praticado com generosidade, defendido com desinteresse.

Procedendo de maneira que, no espírito da criança, o bem esteja sempre em evidência, circundado de luz, aureolado e venerado. Nunca permitindo que a criança se afeiçoe a quem a lisonjeia ou acaricia, de preferência a quem a repreende para a instruir, ou a corrige para a tornar melhor.


De que forma pode o bem orientar o coração das crianças?

Reservando para um outro livro o amor da virtude e o amor da Igreja, que são mais da ordem sobrenatural, diremos aqui que é preciso inspirar à criança:

1º - O amor da família; [assunto deste post]
2º - O amor dos pobres;
3º - O amor do trabalho;
4º - O amor do dever;
5º - O amor da pátria.


1º - O amor da família

Que é que se deve amar na família considerada como família?

1º - Deve-se amar a honra do nome. Este nome, os antepassados levaram séculos a criá-lo; fizeram-no de probidade, de inteligência, de glória, talvez; transmitiram-no de geração, engrandecendo-o, acreditando-o, fazendo-o subir cada vez mais na estima dos homens. O primeiro dever daqueles que o usam é não o desonrar.

"Quando me vejo obrigado por um dever doloroso a revelar a um pai ou a uma mãe um desses comportamentos que fazem que um jovem não seja mais que um apóstata desta honra hereditária, vejo todo o sangue dos avós subir-lhe ao rosto, revoltado, indignado.
- Que desgraçado! Que fez ele do bom nome de seus pais?
E vejo correr de seus olhos lágrimas silenciosas"
(Mgr. Baunard, Deus na escola, t. I, p. 85-86)

Não obstante, se é preciso conservar nobremente o bom nome dos antepassados, porque é uma glória, torna-se necessário conservá-lo com modéstia e com receio, porque é um fardo...

2º - É preciso amar o espírito da família, quer dizer, este conjunto tradicional de convicções, de virtudes e de princípios domésticos que constituem o patrimônio sagrado de toda a família cristã; "Estes são os nossos princípios"! Diz-se assim das verdades que se amam. Princípios políticos, sem dúvida, mas também princípios religiosos.

"Belas famílias aquelas em que se anda aos grupos e como que em coro pelo caminho do céu, à maneira das estrelas que gravitam em constelações no firmamento." (Mgr. Baunard)

Temos o nosso lugar marcado diante do crucifixo para a oração comum, na igreja paroquial, nas obras de caridade, de piedade, de zelo, de propaganda, etc.

3º - É preciso amar a vida da família

Haverá, com efeito, dias comparáveis aos que se passam com o pai e a mãe, em companhia dos irmãos e irmãs? E que inquietação me inspiram esses jovens e donzelas que acham longas as horas passadas no lar, e que voltam, com impaciência, os seus olhares para esses regiões longínquas donde lhes vêm certos bafejos de liberdade prejudicial e nas quais aspiram secretamente a ir perder aquilo que o Evangelho chama a sua substância, quer dizer, a sua alma, e bem assim, ao mesmo tempo, a sua felicidade, vivendo luxuriose (vivendo luxuriosamente - N.T)

É preciso amar as reuniões de família, quer à mesa, quer noutra parte; quer sejam periódicas, quer habituais.

É preciso que se transforme em lei a celebração das festas de família, das festas dos padroeiros, das festas de aniversários natalícios dos pais ou avós. O culto doméstico tem, como o outro, as suas festas obrigadas, a quem não se deve faltar.

Quais devem ser, no seio da família, os beneficiários do amor das crianças?

São:

1º - O pai e a mãe;
2º - Os irmãos e irmãs;
3º - Os avós;
4º - Os tios e tias;
5º - Os padrinhos e madrinhas.


1º - O amor dos pai e da mãe

Há necessidade de sacrificar o afeto do coração?

Sim, porque, apesar das aparências, o amor nas crianças, mesmo o amor filial, não é inato; tem necessidade de se criar...

"Em geral, a natureza - naquilo que inspira amor - não se propõe senão salvaguardar a espécie. Assim, nos animais inferiores, que não precisam de proteção ou auxílio desde o nascimento, o afeto maternal e filial é imperceptível. Com efeito, esse afeto, parece ser despido do objetivo, porque os pequenos sabem, desde a primeira hora, prover às suas necessidades. Num grau mais elevado, vê-se a ave procurar o alimento conveniente aquecer e proteger a sua ninhada. No entanto, logo que os filhos crescem, o ninho ficará deserto e nada sobreviverá da solicitude nem do amor respectivos: nunca mais se reconhecerão. Seria assim a família humana, se o instinto não viessem juntar-se as considerações morais dos benefícios recebidos e o afeto raciocinado que desses benefícios resulta." (Nicolay, As crianças mal educadas, p. 359)

A criança, entregue a si mesma, é capaz de fazer estas considerações morais que produzem o afeto?

Não.
Os pais devem, pois, fazê-las por seu lado, em sua intenção e em seu proveito.
Devem ensinar-lhe que foram eles que lhe deram a vida; que são eles que lhe proporcionam o lar, o calçado, o vestuário, a alimentação, etc.; são eles que a instruem ou a mandam instruir, lhe preparam o futuro e a colocam no caminho do céu; que são eles que, depois de Deus, lhe têm mais afeto e que, sem duvidam, tudo isto lhe faltaria, se fosse abandonada a si mesma.

Ouvi estas palavras tão encantadoras e tão verdadeiras:

"A criança cresce: pouco a pouco, a sua alma desenvolve-se; começa a compreender. Os diversos cuidados de que é objeto, as carícias que lhe prodigalizam, fazem nascer nela impulsos de ternura. O rosto de sua mãe que lhe sorri, a sua doce voz, que lhe fala, cativam os seus olhos e os seus ouvidos; torna-se atenta, e atribui os benefícios que recebe à mão que lhos dispensa. O reconhecimento começa a despontar, e a inteligência une-se á razão para fortificar o afeto... Bem depressa suas mãozinhas acariciam a mãe, um sorriso mostra que a conhece, na sua presença tenta balbuciar alguns sons... ela ama! É este o fruto das lições recebidas." (Citado por Nicolay, ob. cit., p. 360)


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2º - O amor dos irmãos e irmãs
Como se pode criar nas crianças o amor dos irmãos e irmãs?

1º - Fazendo-lhes notar que os irmãos e irmãs têm o mesmo nome; têm o mesmo pai, a mesma mesa e os mesmos jogos; recebem a mesma educação; têm, geralmente, mais ou menos, as mesmas ideias, os mesmos gostos e sensivelmente as mesmas inclinações; que, por consequência, a simpatia é instintiva e o amor deve ser natural.

Qual a condição necessária deste amor?

É o respeito.

1º - "O respeito proíbe primeiro toda a palavra e toda a ação que, de perto ou de longe, poderia atingir a honra e a reputação;
2º - Proíbe em seguida, em nome da justiça, tudo o que poderia lesar os direitos duns e doutros: cada um deve contentar-se com a sua parte nos bens da família, e nenhum deve usar de adulação ou de fraude para se apoderar daquilo que lhe não pertence." (Guibert, Cursos de moral teórica e prática, p. 208)
3º - A cautela contra a inveja.

Quais são os frutos deste amor?

1º - É a edificação

"Porque os irmãos devem ser irmãos para sempre, e fraternidade não produzirá senão tristeza e desespero, se a sua duração final, ou melhor, a sua duração sem fim, não for eterna." (Mgr. Baugard, Deus na escola, t. I, p. 462,464)

... A edificação dá-se pelo bom conselho e pelo bom exemplo.

2º - É a assistência.

Os mais velhos podem tornar-se no seio da família os preceptores e os mestres dos seus irmãos mais novos.

"São espetáculos que alegram os coros dos anjos." (Mgr. Baugard, Deus na escola, t. I, p. 462,470)

"A sua missão tornar-se-á mais importante, se o pai ou a mãe faltarem: os irmãos e irmãs mais velhas assumem então as responsabilidades de chefes da família. O auxílio afetuoso deve, mesmo na idade madura, caracterizar as relações entre irmãos e irmãs." (Guibert, Cursos de moral teórica e prática, p. 203)

Ajudam-se mutuamente com os seus conselhos e os seus bens, quando é necessário, sempre com as suas orações.


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3º - O amor dos avós

Como se pode despertar nas crianças o amor pelos avós?

1º - Ensinando-lhes, desde a mais tenra idade, que os seus avós são os papais e as mamães do seu próprio pai e de sua própria mãe e que, por conseguinte, se elas têm um papai e uma mamãe, devem-no, depois de Deus, a seus avós.
2º - Revelando-lhes que há, nos avós, uma reserva especial de afeto a favor das criancinhas.
3º - Fazendo-lhes notar que os avôs e as avós como estão numa idade avançada, merecem, por esses título, uma estima mais profunda, uma maior confiança e atenções mais delicadas.
4º - Dando-lhes sempre o exemplo das virtudes que elas devem praticar, não deixando passar nenhuma infração e vigiando que sejam cumpridas, a tempo e hora, as cerimônias afetuosas do dia de Ano Novo, dos dias santos, do aniversário, etc.


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4º - O amor dos tios e das tias

Como se pode despertar nas crianças o amor dos tios e tias?
1º - Fazendo-lhes notar que os tios e as tias são os irmãos e as irmãs de seu pai e de sua mãe, e que ocupam, por conseguinte, na ordem do parentesco, um lugar no primeiro plano em que se deve atender necessariamente ao amor bem formado.
2º - Habituando-se às demonstrações de afeto, próprias da boa sociedade do meio em que vivem.
3º - Indicando e corrigindo qualquer falta que se manifesta.


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5º - O amor dos padrinhos e madrinhas

Como se pode despertar nas crianças o amor aos padrinhos e às madrinhas?

Fazendo ressaltar a importância e as responsabilidades desta paternidade espiritual assumida no dia do batismo pelo padrinho e madrinha. "Lembrai-vos, dizia Santo Agostinho, vós, homens e mulheres, que levaste crianças à pia batismal de que sois os responsáveis diante de Deus".

Portanto, a criança bem educada respeita e ama o seu padrinho e a sua madrinha; recebe com docilidade e gratidão, os bons conselhos e as caridosas repreensões que eles lhe dão.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Sermão do XVI Domingo Depois de Pentecostes - Pe. René Trincado

Sendo que 8 de Setembro é a Festa da Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria, lerei então algumas passagens do livro “O Segredo Admirável do Santo Rosário”, de São Luis Maria Grignon de Montfort:

O Rosário completo, com suas 3 coroas, consiste na repetição de Ave-Marias. É uma série de 153 Ave-Marias, mais 16 Padre-Nossos e Glórias. A Santíssima Virgem revelou que é sinal provável de condenação ter negligência, tibieza e aversão à Ave-Maria; e que os que – pelo contrário – sentem devoção a esta oração possuem um grande sinal de predestinação. Todos os hereges, que são filhos do diabo, e que levam os sinais evidentes de condenação, têm horror à Ave-Maria; aprendem o Padre-Nosso, mas não a Ave-Maria e prefeririam levar sobre si uma serpente antes que o Rosário. Entre os católicos, os que levam o sinal da reprovação apenas se interessam no Rosário, são negligentes em rezá-lo ou o rezam com preguiça e precipitadamente.


Pregando São Domingos o Rosário em Carcasona (ao Sul da França, no início do séc. XIII), lhe levaram um herege possesso; o santo o exorcizou na presença de mais de doze mil pessoas. Os demônios que possuíam a este miserável estavam obrigados a responder as perguntas do santo, e confessaram:

Que eram quinze mil demônios os que haviam no corpo do possesso, porque havia atacado os quinze mistérios do Rosário. Que com o Rosário que ele pregava levava o terror e o espanto a todo o inferno (isto é, às hostes infernais), e que era o homem que mais odiavam em todo o mundo por causa das almas que lhes tirava com a devoção ao Rosário.

São Domingos colocou seu Rosário no pescoço do possesso e lhes perguntou a qual dos santos do céu temiam mais e qual devia ser mais amado e honrado pelos homens. A esta pergunta os demônios romperam em gritos tão espantosos que a maior parte dos ouvintes caiu em terra assustados e espantados. Os espíritos malignos, para não responder, choravam e se lamentavam de um modo comovedor que muitos assistentes choravam também por compaixão. Os demônios diziam pela boca do possesso com voz lastimosa: “Domingos! Domingos! Tem piedade de nós! Te prometemos não fazer-lhe mal!”.

O Santo, sem mudar-se por estas sofridas palavras, respondeu aos demônios que não cessaria de atormentá-los até que respondessem a pergunta. Disseram os diabos que responderiam, mas em segredo e ao ouvido. Insistiu o santo, ordenando-lhes que falassem muito alto. Os diabos não quiseram dizer palavra. Então São Domingos ficou de joelhos, e fez à Santíssima Virgem esta oração: “Oh excelentíssima Virgem Maria, pela virtude de teu saltério e Rosário, ordena a estes inimigos do gênero humano que respondam a pergunta”.
Os demônios exclamaram: "Domingos, rogamos-te pela paixão de Jesus Cristo e pelos méritos de tua santa Mãe e de todos os santos, que nos permitas sair deste corpo sem dizer nada, porque os anjos, quando tu quiseres, revelar-te-ão. Nós somos mentirosos. Como acredita em nós? Não nos atormentes mais, tenhas piedade de nós.” Desgraçados são" disse São Domingos, e ajoelhando-se, dirigiu esta nova oração à Santíssima Virgem: “Ó digníssima Mãe de Sabedoria,... peço-vos para a saúde dos fiéis aqui presentes, que obrigueis a esses vossos inimigos a abertamente confessar aqui a verdade completa e honesta."

Apenas havia terminado esta oração, viu perto dele a Santíssima Virgem, rodeada de uma multidão de anjos, que com uma vareta de ouro que tinha na mão, golpeava ao possuído, dizendo-lhe: “responda a pergunta de meu servidor Domingos.”

Então os demônios começaram a gritar, dizendo: “Oh! inimiga nossa! Oh! ruína e confusão nossa! Por que viestes do céu para atormentar-nos de forma tão cruel? Será preciso que por vós, ó advogada dos pecadores, a quem livrais do inferno; ó caminho seguro do céu, sejamos abrigados – para nosso pesar- a confessar diante de todos o que é causa de nossa humilhação e ruína? Ai de nós! Maldição a nossos príncipes das trevas! Ouçam, pois, cristãos! Esta Mãe de Deus é onipotente e pode impedir que seus servos caiam no inferno. Ela, como um sol, dissipa as trevas de nossas astutas maquinações. Descobre nossas intrigas, rompe nossas redes e reduz à inutilidade todas nossas tentações. Vemo-nos obrigados a confessar que ninguém que persevere em seu serviço se condena com nós. Um só suspiro que ela apresente à Santíssima Trindade vale mais que todas as orações, votos e desejos de todos os santos. Temos mais medo dela que de todos os bem-aventurados juntos e nada podemos contra seus fiéis seguidores.

Levem em consideração também que muitos cristãos que A invocam ao morrer e que deveriam se condenar, segundo as leis ordinárias, salvam-se graças à Sua intercessão. Se esta Mariazinha – assim a chamaram em sua fúria – não houvesse oposto aos nossos desígnios e esforços, há tempos teríamos derrubado e destruído a Igreja, e levado ao erro e à infidelidade toda sua hierarquia! Devemos incluir, com maior clareza e precisão – obrigados pela violência que nos fazem – que ninguém que persevere na reza do Rosário se condenará. Por que ela obtém para seus fiéis devotos a verdadeira contrição dos pecados, para que os confessem e alcancem o seu perdão”.

Então São Domingos fez todo o povo rezar o Rosário muito lentamente e devotadamente, e a cada Ave-maria que o santo e o povo rezavam – que coisa surpreendente! – saía do corpo deste desgraçado uma grande multidão de demônios em forma de carvões acesos. Este milagre foi causa da conversão de grande número de hereges, que, aliás, se inscreveram na Confraria do Santo Rosário, como sucedeu com o possesso. 

Termino com outra citação deste grande apóstolo do Rosário que foi São Luís Grignion de Montfort: “eu acredito que você vai receber a coroa que nunca vai definhar, se se você mantiver fiel à reza (do Rosário) devotamente até a morte... Não obstante à enormidade de seus pecados, mesmo que já estivessem  à beira do abismo... converter-se-ão mais cedo ou mais tarde e salvar-se-ão, sempre que, repito, rezarem devotamente, todos os dias até à morte o Santo Rosário com o fim de conhecer a verdade e alcançar a contrição e o perdão de seus pecados.” 

Ave Maria Puríssima.
Tradução: Grupo Dom Bosco